Exposição 'O Tempo para o Barómetro'
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What ´s On Guimarães
- Exposição "O Tempo para o Barómetro"
Guimarães Project Room
O tempo para o barómetro expõe o trabalho recente dos artistas Fernando Lobo e André Marques.
Apresentam-se objetos de diferentes volumes, pesos, ritmos e densidades. Prevê-se que ocupem o espaço tridimensional, suspensos, afixados, pousados, revelando corpos de escultura, desenho, vídeo, performance ou poesia (afirmando-se em partilha). Encaramos uma aproximação sensível, por um conjunto de sintomas e objetos performativos que nos revelam uma cartografia do encontro entre os artistas, com as suas linguagens e contextos diferentes.
A exposição pretende produzir dialeticamente afinidades e analogias sob elementos que diferem formal e plasticamente, como um percurso sinuoso. Por um lado, Fernando dá-nos a conhecer rolos de cartão com imagens pintadas a tinta. Figurações da linha e da mancha partidas de um gato ou de um bicho, ou uma pauta musical feita textura, ritmo, espaço povoado. Como lembra Jean-Luc Nancy, no princípio de “O Prazer no Desenho” (2022:9), “o desenho é a abertura da forma (…) enquanto início (…) e como disponibilidade ou capacidade própria. De acordo com o primeiro sentido, o desenho evoca mais o gesto no desenhar (, n)o segundo, ele indica um acabamento essencial nessa figura, um não-fechamento ou uma não-totalização da forma.”
No mesmo espaço, André apresenta desenhos em papel e em cartão que revelam outras imagens. Papeis de vários brancos e texturas, deixados por pintar nalguma área considerada, ou cobertos por camadas claras e subtis, em contrapeso com figuras mais definidas e contrastadas, que se afirmam, inflamam, descrevem, contradizem ou equivocam. Algumas imagens, mesmo formando a ideia de par, não cingem a uma expectativa contabilística. Linhas, manchas, figuras e preenchimentos dão força ao aparente e ao signo que forma sempre novos objetos. Além desses grupos de desenhos, encontram-se também na sala elementos de uma esfera performativa, pensados em conjunto para a exposição. Uma mesa que sobressai do chão, que, aliás, enceta o percurso. Apresenta objetos especulativos, reunindo motivações para o espaço feito ilha. Uma batata suspensa, ascendida, necessitando de ser mudada periodicamente; uma caixa com um furo para o exterior, que contem imagens dentro; outros objetos encarados como tal, mas adaptados segundo figurações que amplificam a sua carga simbólica; alfabetos gráficos, etc. Temos também um livro, sobre um plinto, aberto numa página com palavras recortadas e pousadas sobre as folhas, que ora anonimizam o livro dos seus sinais, ora mostram um novo poema, da autoria de Fernando.
Esta peça pretende integrar duas perspetivas autorais sobre o objeto, no que toca a construção poética de Fernando e a atuação performativa do objeto livro enquanto organismo vivaz.
17h
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