Colóquio Internacional: As artes no Condado Portucalense e no reinado de D. Afonso Henriques (868-1185)
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Comemorações dos 900 anos da Batalha de S. Mamede
Colóquio Internacional
As artes no Condado Portucalense e no reinado de D. Afonso Henriques (868-1185)
Guimarães, 30 e 31 de outubro, 2026
Salão Nobre da Sociedade Martins Sarmento
Livro do Colóquio
Enquadrado na programação científica dos 900 Anos da Batalha de S. Mamede.
Programa
30 de outubro de 2026
Manhã
9h00 Recepção aos participantes
9h30 Sessão Oficial de Abertura
Mário Jorge Barroca (Comissão Científica e Organizadora)
Antero Ferreira (Sociedade Martins Sarmento)
Isabel Ferreira (Vereadora da Cultura)
10h00 Conferência 1:
José Carlos Sanchez Pardo (USC)
Arquitectura y Escultura prerománica en Galicia y Norte de Portugal. Una síntesis de 15 años de investigación
10h45 Debate
11h00 Coffee Break
11h15 Comunicação 1:
Mário Pereiro Fernandez (CISPAC)
Construir o poder. Arquitectura como representação do poder na Gallaecia Ocidental (Séculos VIII-XI)
11h35 Comunicação 2:
Luís Fontes (Lab2PT - UM)
Mausoléu de São Frutuoso de Montélios. Novos poderes, novas arquitecturas
11h55 Debate
Tarde
15h00 Conferência 2:
Paulo Almeida Fernandes
Tempos de formação e de afirmação. A vitalidade artística asturiana e leonesa no Ocidente peninsular (séculos IX-X)
15h45 Debate
16h00 Comunicação 3:
Francisco José Moreno Martín (UCM)
El Monacato Hispano en el Cuadrante Noroccidental entre los siglo IX y XI. Una aproximación desde las fuentes y la cultura material
16h20 Coffee Break
16h45 Comunicação 4:
António Manuel Carvalho Lima (CITCEM)
As ecclesiae da diocese portucalense no contexto do processo de «ressurreição» da Divisio Theodomiri (Séc. XI-XII)
17h05 Comunicação 5:
Inês Mineiro Abreu (IHA – FSCH-UNL)
Da palavra à coisa: objectos, imagens devocionais e cultura visual nas fontes condais e afonsinas
17h25 Debate
18h00 Apresentação do livro
El Prerrománico Leonés. Arte en el Reino de León (910-1037)
Javier Callado Cobo e Teresa Fernández (da Asociación Ibérica de Amigos del Prerrománico del Reino de León) e Emilio Campomanes Alvaredo (co-autor do livro)
31 de outubro de 2026
Manhã
9h30 Conferência 3:
Manuel Antonio Castiñeiras Gonzalez (UAB)
El románico hispánico a debate (1075-1130): modelos narrativos, idiosincrasia y desafíos
10h15 Debate
10h45 Coffee Break
11h30 Comunicação 6:
Victoriano Nodar Fernandez (UVigo)
Las primeras experiencias de la escultura románica en el noroeste: de Conques a Santiago de Compostela y Braga
12h05 Comunicação 7:
Adelaide Miranda (IEM), Luís Correia de Sousa (IEM) e Maria João Melo (REQUIMTE)
As artes no Condado Portucalense e no reinado de D. Afonso Henriques (868-1185)
12h30 Debate
Tarde
15h00 Conferência 4:
Ilya Semionoff e Manuel Real (CITCEM – IEM)
Santa Cruz de Coimbra: A obra e seu contexto urbano, no tempo de D. Afonso Henriques
15h45 Comunicação 8:
Eduardo de Oliveira Tavares (CIJVS)
Igreja de São João de Alporão em Santarém, Zamora e Ávila – Principais pistas de investigação
16h15 Debate
16h45 Coffee Break
17h30 Encerramento
Manuel Luís Real (Comissão Científica e Organizadora)
Mário Jorge Barroca (Comissão Científica e Organizadora)
Paulo Almeida Fernandes (Comissão Organizadora)
RESUMOS
Conferência 1:
José Carlos Sanchez Pardo (USC)
Arquitectura y Escultura prerománica en Galicia y Norte de Portugal. Una síntesis de 15 años de investigación
José Carlos Sánchez Pardo es profesor titular de Arqueologia en la Universidade de Santiago de Compostela. Sus líneas de investigación se centran en la arqueología y los paisajes tardoantiguos y altomedievales de Galicia, temas sobre los que ha publicado casi un centenar de trabajos. Ha realizado estancias de larga duración en la Escuela Española de Historia y Arqueología en Roma (CSIC), y el Institute of Archaeology del University College of London, y ha dirigido diversos proyectos de investigación competitivos autonómicos, estatales y europeos.
Resumo:
En esta presentación expondremos los principales resultados de varios proyectos consecutivos de investigación sobre la construcción de iglesias en la alta edad media en el noroeste de la Península Ibérica que venimos realizando desde la Universidad de Santiago de Compostela en los últimos años. El objetivo común de estos proyectos ha sido el conocer mejor, desde una perspectiva amplia y territorial, las características arqueológicas e históricas de las iglesias edificadas en Galicia durante antes del románico.
Partiendo de un vaciado exhaustivo de la información escrita y arqueológica ya disponible sobre edificios de culto anteriores al siglo XI (hasta un total de 800 evidencias), se llevó a cabo posteriormente una prospección arqueológica de más de un centenar de iglesias, para finalmente realizar el análisis estratigráfico y datación absoluta de morteros de los casos más interesantes. Este enfoque nos permite aproximarnos a una lectura social de los ciclos productivos de la construcción en piedra en Galicia: características, cronologías, técnicas constructivas y protagonistas.
Junto a este análisis arquitectónico también hemos realizado una amplia recopilación de material escultórico altomedieval inédito o escasamente conocido hasta la fecha en Galicia, y se ha comparado con el conocido en el norte de Portugal. Esto nos permite reflexionar sobre aspectos como la cronología, características y formas de producciones decorativas, así como la identificación de nuevos talleres hasta la fecha desconocidos que actuaban tanto en Galicia como en Norte de Portugal, que en aquel momento formaban sin duda un único y mismo territorio.
Por último, el recurso al estudio interdisciplinar de la información arqueológica junto a la documentación escrita nos permite relacionar el gran auge constructivo en la Gallaecia de fines del siglo IX y primera mitad del siglo X con las principales élites del reino astur-leonés, y especialmente con tres o cuatro generaciones de una misma gran familia aristocrática que elige la inversión en la construcción de edificios eclesiásticos de calidad como estrategia para legitimar y consolidar su dominio político en el noroeste peninsular.
Comunicação 1:
Mário Pereiro Fernandez (CISPAC)
Construir o poder. Arquitetura como representação do poder na Gallaecia Ocidental (Séculos VIII-XI)
Mário Pereiro é doutor em Arqueologia pela Universidade de Santiago de Compostela (2019) e desenvolve a sua investigação em torno das fortificações e das paisagens arqueológicas do Noroeste Peninsular na Alta Idade Média. Atualmente é investigador pós-doutoral da Xunta de Galicia, no âmbito do projeto «Estratexias de Control Territorial na Gallaecia Altomedieval (ConTroGAL)».
Fundador e diretor, desde 2020, do projeto «Castelos no Aire», dedicado ao estudo das paisagens altomedievais da Galiza. As suas principais linhas de investigação são a Arqueologia do Poder, a Arqueologia da Paisagem e a Arqueologia do Conflito. O seu trabalho centra-se particularmente nas relações entre fortificações, controlo territorial e formação das estruturas de poder na Alta Idade Média. A sua investigação combina metodologias arqueológicas, análise espacial e estudo das paisagens históricas.
Resumo:
Durante os séculos VIII a XI, a afirmação do poder das aristocracias da Gallaecia Ocidental traduziuse na construção e monumentalização de numerosos espaços fortificados. Habitualmente interpretados como dispositivos de defesa ou de controlo territorial, estes sítios têm sido analisados sobretudo a partir da sua funcionalidade militar. Contudo, os dados arqueológicos obtidos nas últimas décadas sugerem que estas arquiteturas desempenharam igualmente um papel essencial na construção, legitimação e representação do poder. Esta comunicação propõe uma leitura da arquitetura fortificada enquanto linguagem material das diferentes elites altomedievais. A implantação em lugares de forte visibilidade, a monumentalidade das muralhas, a organização interna dos recintos e a adoção de determinadas soluções construtivas constituem opções arquitetónicas que ultrapassam as exigências defensivas, participando na criação de novas paisagens políticas e na afirmação visual da autoridade aristocrática.
Partindo da análise de diversos sítios arqueológicos da Gallaecia Ocidental, serão discutidas as principais estratégias de construção e monumentalização desenvolvidas entre os séculos VIII e XI. A comparação destes casos permitirá identificar padrões arquitetónicos comuns e avaliar em que medida estas fortalezas integravam uma cultura arquitetónica partilhada, associada aos processos de reorganização territorial e de consolidação das estruturas de poder altomedieval no noroeste peninsular.
Longe de constituírem apenas infraestruturas militares, as fortalezas altomedievais serão aqui entendidas como projetos arquitetónicos concebidos para materializar relações de poder, ordenar o território e comunicar a autoridade das elites. Deste modo, pretende-se contribuir para uma reavaliação do significado destas arquiteturas, integrando a sua dimensão simbólica e representativa no debate sobre a cultura artística da Alta Idade Média na Gallaecia Ocidental.
Comunicação 2:
Luís Fontes (Lab2PT - UM)
Mausoléu de São Frutuoso de Montélios. Novos poderes, novas arquitecturas
Luís Fontes é doutorado em Arqueologia pela Universidade do Minho, tendo sido diretor da Unidade de Arqueologia entre 2018 e 2021. Publicou cerca de três centenas de trabalhos, recebendo o Prémio Nacional ‘A. Almeida Fernandes 2014’ pela autoria do livro Lindoso. Uma Paisagem com História. É Membro Colaborador do Lab2PT/ICS/UMinho, continuando a desenvolver investigação no domínio das paisagens e arquiteturas medievais e modernas.
Resumo:
O Mausoléu de São Frutuoso é considerado como o mais importante e complexo exemplar de arquitetura cristã antiga existente em território português, sendo referenciado pelos investigadores de todo o mundo como unicum peninsular na sua forma, dimensões e gramática decorativa. Apesar da escassez dos restos originais subsistentes, as investigações arqueológicas realizadas nas duas últimas décadas, com levantamentos arquitetónicos detalhados e amplas escavações no exterior contíguo ao mausoléu, proporcionaram a recolha de novos dados, que possibilitam acrescentar um pouco mais relativamente à sua cronologia e planimetria. A par da identificação dos alicerces originais implantados diretamente sobre a rocha, a sequência estratigráfica identificada, a ergologia dos materiais correlacionados e a definição do módulo construtivo, atestam a fundação visigoda do monumento, igualmente comprovada por datações laboratoriais. A interpretação de que existiu um ‘declínio’ na construção monumental entre os períodos tardio e pós romano deve, pois, ser revista, já que as elites eclesiásticas e aristocráticas investem na edificação de edifícios de culto cristão, muitos deles reveladores do domínio de complexas soluções técnicoconstrutivas, como exigem, por exemplo, as soluções de coberturas abobadadas.
Na sua inovadora forma arquitetónica, o mausoléu de São Frutuoso expressa uma transição ideológica e estética que, nos séculos seguintes, se vai consolidar, até proporcionar as condições para a adoção e desenvolvimento da arte românica.
Conferência 2:
Paulo Almeida Fernandes (IHA – FCSH – Nova)
Tempos de formação e de afirmação. A vitalidade artística asturiana e leonesa no Ocidente peninsular (séculos IX-X)
Paulo Almeida Fernandes é doutorado em História da Arte pela Universidade de Coimbra (2017), mestre em Arte, Património e Restauro (2003) e licenciado em História, variante de História da Arte (1998), ambos pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. É membro integrado do Instituto de História da Arte da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (Universidade Nova de Lisboa) e colaborador do Instituto de Estudos Medievais (Universidade Nova de Lisboa). Foi Professor Auxiliar Convidado de História da Arte da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (2019-2025). Desempenha atualmente funções de coordenação do serviço de Inventário e Investigação do Museu de Lisboa - EGEAC e é membro do Comité Internacional de Especialistas do Caminho de Santiago.
Resumo:
Entre meados do século IX e finais do século X, entre o primeiro grande movimento expansionista do reino asturiano e a desestruturação parcial do sistema então implementado pelas razias muçulmanas comandadas por Almançor, o território que viria a formar Portugal foi um espaço aberto à colonização asturleonesa. Tendo por base os condados de Coimbra e de Portucale e outras áreas a sul do rio Minho de alguma forma integradas na autoridade asturiana e leonesa, a marca ocidental da fronteira cristã foi ocupada por uma nobreza concentrada em ampliar a sua influência, um clero que reativou antigas dioceses, homens livres atraídos pelas expectativas de obter terras e outros destacados protagonistas e respetivos séquitos. Estes grupos construíram residências, igrejas, torres, pontes, cais, fornos, lagares, moinhos… aproveitaram as vias de penetração proporcionadas pela rede viária romana, ocuparam locais de relevância estratégica e esforçaram-se por obter o reconhecimento de populações autóctones.
Desse processo que alterou substancialmente a paisagem ficaram importantes testemunhos materiais, em quantidade e qualidade assinaláveis. Ainda que só escassamente preservadas, tais manifestações artísticas testemunham processos de inovação e/ou continuidade com formas anteriormente ensaiadas em outras zonas dos reinos asturiano e leonês. Há casos de notável novidade, como as fases asturianas de São Pedro de Lourosa e a fase leonesa de São Frutuoso de Montélios. Há também capítulos que primam pela qualidade, como o foco construtivo no território de Guimarães, gerado em torno da família condal portucalense em meados do século X. E há interrogações sem resposta aparente, como as vias de criação e influência que determinaram a construção do edifício monumental de Idanha-a-Velha ou a realização do cálice e patena de Mendo Gonçalves e Tutadona.
Nesta ocasião, proponho-me efetuar um balanço de quase dois séculos de vitalidade artística no ocidente peninsular. Partindo de uma reflexão territorial, a qual evidencia uma dinâmica construtiva muito superior aos vestígios atualmente preservados, abordarei os principais tempos em que esta realidade pode ser sistematizada, juntando ainda uma perspetiva historiográfica complementar.
Comunicação 3:
Francisco José Moreno Martín (UCM)
El Monacato Hispano en el Cuadrante Noroccidental entre los siglo IX y XI. Una aproximación desde las fuentes y la cultura material
Francisco José Moreno Martín és Profesor Titular en el departamento de Historia del Arte de la Universidad Complutense de Madrid. Sus líneas principales de investigación son la arquitectura monástica hispana pre benedictina y, especialmente, la desarrollada en el territorio de al-Andalus. A su formación como historiador del arte suma la de arqueólogo merced a la participación en excavaciones y análisis estratigráficos en España, Portugal e Italia. Ha formado parte de proyectos de investigación centrados en el estudio de la arquitectura prerrománica hispana a través de los cuales ha podido profundizar en aspectos tan relevantes como las técnicas constructivas y decorativas, la ordenación de los espacios litúrgicos y su relación con la arquitectura residencial y el valor de la combinación entre fuentes escritas y evidencias arqueológicas. En la actualidad es investigador del proyecto Monzarab. Christians among Muslims: Monasticism in Early Islamic alAndalus (8th-11th Centuries), financiado por el European Reserarch Council (ERC) y dirigido por la Dra. Maria de los Ángeles Utrero Agudo.
Resumo:
El monacato hispano llega al siglo XI sometido a un juicio sumario por parte de las autoridades eclesiásticas y laicas que defienden las reformas vinculadas a Roma y Cluny. Los usos y las costumbres basadas en tradiciones que arrancan en el período tardorromano y que atraviesan sin aparentes cambios la época visigoda y altomedieval ofrecen una vertiente arquitectónica y artística bien conocida. Sin embargo, con la llegada de las corrientes reformadoras y el éxito arrollador de las construcciones en estilo románico la institución del monacato para buena parte del siglo XI se presenta entre penumbras. Esta comunicación pretende ofrecer una visión amplia (aunque necesariamente concisa) de qué elementos de la tradición hispana perviven en los ejemplos del siglo XI conservados en el cuadrante noroccidental hispano y qué otros comienzan a mostrar evidencias de la llegada de estas nuevas corrientes procedentes de Francia y de Roma. Para ello, se planteará, en primer lugar, una aproximación a las fuentes textuales relativas al monacato anterior al siglo XI (reglas, normativa conciliar, hagiografía y documentación) para, posteriormente, hacer este mismo acercamiento a las evidencias escritas del XI que hablan de la tensión entre defensores de los usos tradicionales y las corrientes reformistas, haciendo especial mención a la literalidad del Concilio de Coyanza, año 1055, y el Concilio de Burgos, 1080. Hecho esto, se procederá a realizar una tarea similar desde el punto de vista material, haciendo especial hincapié en el uso de los datos arqueológicos y muy especialmente en los ejemplos que conservan restos del proceso de conversión, como San Isidoro de León, San Miguel de Escalada o San Juan Bautista de Corias. Con ello considero que estaremos en disposición de plantear continuidades y rupturas en el ámbito de la organización de las comunidades monásticas y, sobre todo, del traslado de éstas al ámbito de la cultura material, artística y arquitectónica, para el período y el espacio geográfico elegido.
Comunicação 4:
António Manuel Carvalho Lima (CITCEM - FLUP)
As ecclesiae da diocese portucalense no contexto do processo de «ressurreição» da Divisio Theodomiri (Séc. XI-XII)
António Manuel de Carvalho Lima é licenciado em História, variante de Arqueologia, profissionalizado para a docência e Mestre em Arqueologia pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto; e doutorando em Estudos Medievais na Universidade de Santiago de Compostela. Nas suas funções profissionais, destacam-se as de docente e gestor escolar; arqueólogo da Direção Regional de Cultura do Norte; Coordenador da Estação Arqueológica do Freixo / Tongobriga; e arqueólogo da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte. É autor de cerca de meia centena de publicações de cariz científico, focadas na história e arqueologia de época romana e medieval.
Resumo:
Durante as últimas décadas do século XI e as primeiras décadas da centúria seguinte, espoletado pela necessidade de justificar e conferir legitimidade a pretensões territoriais, no quadro do processo de reestruturação da malha diocesana do Noroeste peninsular, assistimos à ressurreição de um texto que, já teria, nessa época, mais de meio milénio de existência: a Divisio Theodemiri, mais conhecida como “Paroquial Suevo”. O tempo dessa ressurreição foi muito curto, de algumas décadas apenas: começou na década de 70 do século XI e já tinha terminado por alturas da efeméride que se comemora neste congresso. Apesar de ter sido comprovadamente manipulado em função dos interesses de cada um dos poderes que dele se tentaram servir – e confirmando-se que este extraordinário documento constituía, de facto, uma lista das igrejas existentes à época da sua redação original, no último terço do século VI – a Divisio Theodemiri constituiria, também, um magnífico rol de edifícios de culto nos quais poderíamos esperar identificar os mais significativos testemunhos artísticos e arquitetónicos, testar a adoção de modelos herdados do passado e averiguar de que forma se poderiam estar a desenvolver outros modelos. Infelizmente, muitas das ecclesiae nele referidas são de difícil identificação, e muito menos ainda são aquelas das quais conhecemos testemunhos materiais, o que é particularmente notório em algumas das dioceses abrangidas pela Divisio, em especial na diocese portucalense. Propomo-nos a sistematizar os nossos conhecimentos sobre as únicas quatro igrejas da diocese portucalense cuja identificação, além de segura, nos proporcionou testemunhos inequívocos da arte e arquitetura ao tempo do Condado Portucalense: além da própria Sé, instalada em Portucale Castrum Novo (Porto), são elas as ecclesiae construídas nos vici de Magneto (Meinedo, Lousada) e Tongobriga (Freixo, Marco de Canaveses) e ainda a que se ergueu no pagus de Labrencio (Lavra, Matosinhos).
Comunicação 5:
Inês Mineiro Abreu (IHA – FCSH – Nova)
Da palavra à coisa: objectos, imagens devocionais e cultura visual nas fontes condais e afonsinas
Inês Mineiro Abreu é mestre em História da Arte Medieval na NOVA FCSH, onde se formou também em História da Arte na licenciatura e História Medieval em pós-graduação. O seu tema de dissertação de mestrado abarcou o ainda pouco estudado inventário nacional das esculturas devocionais da época românica portuguesa. Tem também colaborado em projetos de investigação na NOVA FCSH, designadamente nos Horizontes Cistercienses e FALCO, do Instituto de Estudos Medievais e, mais recentemente, no CLAUSTRUM, do Instituto de História da Arte. Realiza neste momento um doutoramento em História da Arte Medieval na mesma faculdade, com bolsa da DGPC-FCT, com tese intitulada “O culto e o culto: espiritualidade e visualidade das imagens devocionais do ano 1000 a finais de 1200, em território português”.
Resumo:
Calicem, cruces, capsas, coronas, ditagus, frontalem, yconam. A documentação dos períodos condal e afonsino está povoada por uma multiplicidade de objetos litúrgicos e devocionais cuja simples enumeração contraria a ideia de um território artisticamente pobre. A estes objetos somam-se os materiais que lhes dão corpo – aurum, argentum, saphiram, cristallum, corallum, ebur – e as origens diversas que os ligam a redes de circulação além-fronteiras: franciscam, siricum, griziscum, Jherosolimis. Desde a formação da entidade política portucalense em 868 que doações, fundações e instruções testamentárias vêm acumulando nos arquivos nacionais um rasto documental que destaca um extenso corpus de objetos devocionais e litúrgicos. No entanto, e tal como temos vindo a aprofundar desde a nossa dissertação de mestrado (2023), “Escultura devocional portuguesa dos séculos XI ao XIV”, e agora na investigação doutoral em curso, “O culto e o vulto: espiritualidade e visualidade das imagens devocionais do ano 1000 a finais de 1200 em território português”, a historiografia dos séculos que enquadram a fundação do reino português tem subvalorizado o panorama artístico de então. Indo além da escultura de vulto, a nossa investigação doutoral alargou o campo de análise a todo o ecossistema de objetos e imagens que, de 1000 a finais de 1200, compunham a cultura visual da devoção no território. Para colmatar esta lacuna, conjugámos dois métodos complementares: um, que recenseia pela primeira vez as imagens devocionais conservadas em pedra, madeira, metal e marfim no país; outro, de recolha exaustiva das menções a objetos litúrgicos, devocionais e sumptuários nas fontes primárias que até agora foram editadas. Contra aquilo a que Conrad Rudolph chamou um “sense of loss” historiográfico, propomos, para a nossa apresentação a este colóquio, devolver à luz os objetos e imagens documentados nos períodos condal e afonsino, partindo de um levantamento documental sistemático e nacional que atualiza os estudos de Luís Urbano Afonso, Lúcia Rosas e, entre outros, Ana Cristina Correia de Sousa, com novas contribuições quantitativas e qualitativas.
Conferência 3:
Manuel Antonio Castiñeiras Gonzalez (UAB)
El románico hispánico a debate (1075-1130): modelos narrativos, idiosincrasia y desafíos
Manuel Castiñeiras es actualmente Catedrático (CL) de Historia da Arte Medieval en la Universitat Autònoma de Barcelona (UAB), donde trabaja como docente e investigador desde 2010, así como presidente del Comité Internacional de Expertos del Camino de Santiago desde 2022. Anteriormente fue conservador y jefe de la colección de Arte Románico del Museu Nacional d’Art de Catalunya (Barcelona) (2005-2010), y profesor titular de Historia da Arte de la Universidade de Santiago de Compostela (1997-2005). Entre sus méritos internacionales destaca haber sido Visiting Professor en el Department of History of Art de la University of Pennsylvania (EE.UU) (2012) y en la Pontificia Universidade Católica de Goiás (Brasil) (PUC Goiás, 2024). Fue también Fellow de la Japan Society for the Promotion of Science (JSPS) en la Nagasaki Junshin Catholic University (Japón) (2012), y Samuel H. Kress Senior Fellow en el Center for Advanced Study in the Visual Arts (CASVA) de la National Gallery de Washington (EE. UU), durante el año académico 2017-2018.
Resumo:
En las últimas décadas el estudio del arte románico en el norte de la Península Ibérica ha experimentado un gran auge, que ha permitido superar progresivamente ciertas ideas preconcebidas —arraigadas durante largo tiempo— acerca de los orígenes y la evolución del arte monumental en los antiguos reinos hispanos de Aragón, Navarra, Castilla-León y Galicia. En esta renovación, los trabajos publicados por Serafín Moralejo (1946-2011), principalmente en la década de 1970 y 1980, supusieron, sin duda, un cambio metodológico revolucionario que mostraron la importancia del repertorio antiguo en el surgimiento de la escultura monumental, la originalidad de los portales historiados, así como las fuertes conexiones de los talleres de los monumentos relacionados con el Camino de Santiago con centros privilegiados del Midi francés, como Conques, Toulouse y Moissac. La historiografía supo aprovechar, sin duda, ese impulso en un segundo giro metodológico, sobre todo a partir del cambio de siglo, en el que se buscó subrayar el papel de los comitentes y su ideología política y eclesiástica —en concreto, la adhesión a la denominada Reforma gregoriana—para explicar de manera efectiva ciertas preferencias artísticas en lugares como Compostela, Jaca o León. La aplicación de nuevas tecnologías — como la reconstrucción virtual de monumentos perdidos o el análisis petrográfico —, y el surgimiento de nuevos modelos de narración, más centrados en aspectos performativos, litúrgicos, visuales y estéticos, han contribuido en los últimos años a enriquecer el variado panorama del románico peninsular. No obstante, a pesar de la efervescencia de las investigaciones, muchos temas de fondo quedan todavía abiertos y siguen provocando la curiosidad y el debate de los estudiosos, como la “simbiosis” entre la tradición hispánica y las nuevas corrientes ultrapirenaicas, el papel de Jaca, León y Compostela, la cronología de los grandes monumentos y la dinámica de los talleres en el Camino.
Comunicação 6:
Victoriano Nodar Fernandez (UVigo)
Las primeras experiencias de la escultura románica en el noroeste: de Conques a Santiago de Compostela y Braga.
Victoriano Nodar es doctor en Historia del Arte por la Universidad de Santiago de Compostela. Actualmente es profesor del departamento de Historia Arte y Geografía de la Universidad de Vigo. Como especialista en escultura románica de las vías de peregrinación, sus publicaciones se han centrado, sobre todo, en la iconografía románica en general y en la Catedral de Santiago de Compostela, en particular. Paralelamente su actividad se ha centrado en la gestión cultural sobre todo en el campo de las exposiciones temporales. En los últimos años ha trabajado, además como asesor histórico de obras de restauración en diferentes monumentos del patrimonio gallego.
Resumo:
En el último cuarto del siglo XI se produce el desarrollo de las primeras experiencias de la escultura monumental románica en los grandes templos del territorio de la Gallaecia. En este sentido, la catedral de Santiago de Compostela se presenta como una fábrica muy ambiciosa en la que se perciben claramente influencias artísticas de procedencia francesa, particularmente de la abadía de Sainte-Foy de Conques pero también de la zona de Auvernia, de Toulouse y de Moissac. Paralelamente, en la sede de Braga se inicia el gran proyecto de una nueva catedral románica siguiendo el modelo de las iglesias de peregrinación francesas. En los ejemplos de escultura monumental qeu se han conservado de este primer proyecto se detectan igualmente la llegada de temas e incluso de un estilo de raiz francesa reinterpretado, eso sí, por artífices locales.
Comunicação 7:
Adelaide Miranda (IEM – FCSH – Nova); Luís Correia de Sousa (IEM – FCSH – Nova); e Maria João Melo (REQUIMTE – FCT – Nova)
As artes no Condado Portucalense e no reinado de D. Afonso Henriques (868-1185)
Maria Adelaide Miranda é, actualmente, Professora Associada Aposentada e investigadora integrada no Instituto de Estudos Medievais (IEM – FCSH – Nova). As suas áreas de investigação centram-se na Arte Medieval, nomeadamente nos domínios da iluminura, estudos sobre a cor e iconografia. Neste âmbito orientou teses de doutoramento, publicou catálogos e artigos e coordenou projectos de Investigação interdisciplinares: Imago; A cor na Iluminura Medieval (três projectos); Iluminura Hebraica em Portugal durante o séc. XV". Pertence ao conselho editorial da revista do Instituto de Estudos Medievais, Medievalista. Luís Correia de Sousa é Doutor e Mestre em História da Arte Medieval e Licenciado em Musicologia pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. É investigador do Instituto de Estudos Medievais onde tem desenvolvido trabalho no domínio da iluminura, nomeadamente um projecto de Pós-Doutoramento sobre Bíblias portáteis do século XIII; em parceria com Adelaide Miranda e Xavier van Binebekke concluiu recentemente o catálogo das Bíblias do Românico, a publicar em breve. Maria João Melo é Professora Catedrática no Departamento de Conservação e Restauro da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e Investigadora Integrada do REQUIMTE, Laboratório Associado para a Química Verde. Investigadora associada no Instituto de Estudos Medievais FCSH/UNL. Participou em 27 projetos, liderou 8 como investigadora principal e é autora de mais de 120 publicações na Web of Science, incluindo mais de 100 comunicações orais, tendo supervisionado com sucesso 22 teses de doutoramento. Tem procurado expandir a interdisciplinaridade entre ciências sociais e naturais, enquanto reforça o envolvimento do público.
Resumo:
O Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, fundado em 1131 pelos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho teve, sem dúvida, um papel relevante na consolidação da identidade e da soberania do Reino de Portugal. Na sua génese, o mosteiro contou com particular protecção de Afonso Henriques, tornando-se o centro cultural e religioso mais beneficiado pela Coroa. A acção do monarca concretizou-se, nomeadamente, na doacção a D. Telo, em 1130, do balneum regis, dos terrenos envolventes e dos respetivos direitos, possibilitando a construção do complexo monástico. O seu scriptorium emergiu como um dos principais polos de produção de iluminura do país. Os códices produzidos visavam cumprir uma função devocional e responder às necessidades litúrgicas da comunidade, para a Missa e para o Ofício. A biblioteca de Santa Cruz incluía obras da patrística, comentários bíblicos e textos hagiográficos históricos e enciclopédicos. Além disso, destacava-se a preparação de documentos da chancelaria régia e uma atividade notável no âmbito da cronística. Este estudo centra-se no scriptorium e na Livraria de Mão de Santa Cruz, com incidência nos códices dos séculos XII e do primeiro quartel do século XIII. A produção de manuscritos evidencia a importância dada à formação dos cónegos e à lectio como base da vida religiosa. Simultaneamente, a riqueza artística da biblioteca funcionou como instrumento de prestígio e de legitimação do novo reino, demonstrando a existência de um centro capaz de apoiar a sua ideologia política e o reconhecimento da sua soberania. Os estudos artísticos dos códices revelam uma linguagem própria do scriptorium crúzio, integrada na iluminura românica, mas marcada por influências ibéricas, visigóticas, da arte do séc. X ibérica, e do sul de França, nomeadamente da Aquitânia. Manuscritos como a Bíblia de Santa Cruz, o Homiliário Sta Cruz 4, os saltérios, missais, evangeliários, legendários e o De Avibus apresentam iniciais ornadas e historiadas. A análise iconográfica permite compreender a articulação entre imagem, texto, liturgia e espiritualidade, bem como a circulação de modelos entre Santa Cruz, Alcobaça, Lorvão e outros centros europeus. Sempre apoiada no estudo dos pigmentos e das técnicas de execução, esta investigação destaca a originalidade artística de Santa Cruz e o papel de seus manuscritos na formação da identidade cultural e política de Portugal na época de Afonso Henriques.
Conferência 4:
Ilya Semionoff (Arquiteto) e Manuel Real (CITCEM – FLUP; IEM – FCSH – Nova)
Santa Cruz de Coimbra: A obra e seu contexto urbano, no tempo de D. Afonso Henriques
Manuel Luís Real é licenciado em História pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto; e pósgraduado com o Curso de Bibliotecário-Arquivista, pela Universidade de Coimbra (1974). Foi professor convidado do Curso Superior de Ciências Documentais, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Entre 1971 e 1981 trabalhou como técnico na Biblioteca Pública Municipal do Porto. Desde então, até 2010, dirigiu a Casa do Infante e o Departamento Municipal de Arquivos da CMP. Foi o responsável científico da candidatura da cidade do Porto a Património Cultural da Humanidade e comissariou inúmeras exposições sobre temas portuenses. Dirigiu escavações arqueológicas em diversos locais, nomeadamente em Santa Marinha da Costa (Guimarães), onde foi descoberto o paço dos condes de Portucale. Integra dois centros de investigação: o CITCEM / FLUP e IEM / FCSH-NOVA. É autor de de estudos sobre Gestão da Informação, Temas Portuenses, Arte e Arqueologia Medievais, Povoamento do Território na Alta Idade Média. Ilya Semionoff, de nacionalidade francesa mas com residência permanente em Portugal há 25 anos, é arquiteto e empresário, dedicando a vida profissional à recuperação urbana e ao património material e imaterial. Iniciou a aprendizagem das técnicas da gravura, aguarela e pintura a óleo em França, no início dos anos 1990, sendo reconhecido com os prémios “Jean Arsac” e do banco “Caísse d’Epargne” (respectivamente, 1995 e 1996). A partir do fim dos anos 1990 introduz na arquitetura os conhecimentos adquiridos junto do mestre pintor Jean François Chambari nomeadamente em relação a cor e a sua materialidade. Ao longo das duas últimas décadas foi distinguido com os prémios de arquitetura “City of Aberdeen” (1998), “Alexandre Herculano” (2006) e “Prémio de Reabilitação Urbana” (2019).
Resumo:
O mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, fundado em 1131, desempenhou um papel decisivo no processo de consolidação da Monarquia, circunstância que levou os primeiros reis a escolher a basílica de Santa Cruz como seu lugar de sepultura. A igreja românica sofreu profundas transformações a partir do século XVI, as quais dissimularam quase por completo a estrutura inicial. Entre 1940-42, o Cónego A. Nogueira Gonçalves procedeu a importantes estudos conducentes à reconstituição do edifício do século XII. Apoiado nas fontes documentais e em trechos do edifício dados a conhecer por intervenções em partes reduzidas do edifício, veio a propor que o templo românico era precedido por uma potente torre-nártex, a qual dava acesso a uma espaçosa nave, cuja monumental abóbada era contrafortada lateralmente por três capelas cobertas por abóbadas transversais, à boa maneira cisterciense. Com base na documentação conhecida, o autor admitia ainda a existência de uma cabeceira tripartida, mas sem se pronunciar quanto à forma. Esta teoria tem sido seguida quase invariavelmente, até hoje. Entretanto, duas importantes intervenções de restauro puseram a descoberto novos dados (1973-75 e 1980-82). No entanto, a historiografia posterior pouco alterou a perspectiva tradicional. A presente comunicação faz uma análise do processo construtivo, chegando a uma conclusão distinta acerca da tipologia do edifício românico fundador. Como método, os autores partem do estudo detalhado da evolução do cadastro urbano no arrabalde de Santa Cruz, da recolha de novos dados documentais atinentes ao processo de obra e, muito especialmente, da análise aprofundada das estruturas arquitectónicas reveladas pelas intervenções da DGEMN e IPPAR, desde 1973. Como principal conclusão, aponta-se o desaparecimento da cabeceira românica nos inícios do século XIII, o avanço das naves para leste e a multiplicação dos altares, criando capelanias colaterais. Esta ampliação terá ficado a dever-se ao rei D. Sancho I, já em estilo proto-gótico e com o intuito de monumentalizar o Panteão Régio, na ocasião ainda destinado a manter-se em Coimbra.
Comunicação 8:
Eduardo de Oliveira Tavares (CIJVS)
Igreja de São João de Alporão em Santarém, Zamora e Ávila – Principais pistas de investigação
Eduardo de Oliveira Tavares é licenciado em História e investigador do Centro de Investigação Professor Doutor Joaquim Veríssimo Serrão. É professor do 3º ciclo e Secundário. Encontra-se ligado à defesa do património e ao estudo da cidade de Santarém e da sua região, prioritariamente dentro da época medieval.
Resumo:
Observações efetuadas em Zamora, permitiram encontrar elementos comuns entre as igrejas zamoranas de Santa María de la Horta e Santa Maria Magdalena, e a escalabitana igreja de São João do Alporão. Estes elementos foram inicialmente apresentados em Santarém nas Jornadas do Gótico, em 28 de setembro de 2024. A investigação vai conduzir a Ávila, e mais tarde será objeto de um artigo preparado para a revista Monumentos. Por si só, nenhum dos elementos encontrados nos permitem dizer, de forma perentória, que São João do Alporão é uma igreja Zamorana...
Mas olhando para o conjunto, para as marcas de pedreiro, para as dimensões e proporções de Santa María de la Horta e a Santa María Magdalena, para os aspetos artísticos, esculturas, capitéis, cornijas... olhando para o exemplo de São Pedro de Ferreira, quanto à ligação a pedreiros Zamoranos, referida por Manuel Luís Real, olhando para o conjunto de relações das casas reais, tão próximas naquele período do final do reinado de D. Afonso Henriques, e início do reinado de Sancho I (quando podemos pensar que a igreja de São João do Alporão tenha sido encomendada), tudo nos faz apontar para ser essa ligação a Zamora uma muito interessante pista de investigação. Mas, juntando a estes elementos o que foi possível verificar em Ávila, o esquema funcional das ábsides, com seus elementos artísticos comuns a Santarém e Ávila, a impressionante semelhança dos perfis das nervuras, utilizados em ambos os templos, a curiosa semelhança do tema e posição das mísulas que sustentam com as mãos as colunas à entrada de ambas as igrejas, e ainda as marcas de pedreiro agora documentadas em Ávila, a ligação a Zamora e a Ávila, por via do arquiteto Fruchel, ou pessoas próximas, no contexto de introdução do gótico na península ibérica, pede certamente mais investigação e verificação destas pistas. A comunicação fará a apresentação dos principais elementos que apontam no sentido desta ligação, com especial foco nos elementos fotografados em Ávila.
9h
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