Orquestra de Guimarães - Richard Strauss: Morte e Transfiguração e Quatro últimas canções
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X Festival Internacional de Música Religiosa de Guimarães
Orquestra de Guimarães - Richard Strauss: Morte e Transfiguração e Quatro últimas canções
Dia |28
Dia da semana | sábado
Mês|março
Hora | 21h30
Local| Igreja de São Francisco
Organização | Munícipio de Guimarães
Classificação etária | M/6
Duração aproximada | 60 min
Notas ao programa
A Orquestra de Guimarães, sob a direção de Vítor Matos e com a participação da soprano Susana Gaspar, apresenta um programa de forte carga simbólica e expressiva, inteiramente dedicado ao universo de Richard Strauss — um dos compositores que explorou profundamente, em música, as questões da existência humana, da finitude e da transcendência.
Composta em 1889, Morte e Transfiguração (Tod und Verklärung) surge como uma das primeiras grandes afirmações sinfónicas de Strauss, antecipando já uma preocupação estética que o acompanharia ao longo de toda a sua vida: a representação musical da experiência humana em confronto com o destino. A obra descreve, de forma quase narrativa, os últimos momentos de um artista, desde a agonia física até à libertação final do espírito. Através de uma escrita orquestral rica e altamente evocativa, Strauss conduz o ouvinte por um percurso emocional intenso, onde a dor, a luta e a memória se entrelaçam, culminando numa poderosa visão de transfiguração — não como negação da morte, mas como superação e redenção.
Décadas mais tarde, no final da sua vida, Strauss regressa a estas mesmas temáticas com uma linguagem transformada pela maturidade e pela contemplação. As Quatro Últimas Canções (Vier letzte Lieder), escritas em 1948, constituem um verdadeiro testamento artístico. Sobre poemas de Hermann Hesse e Joseph von Eichendorff, o compositor constrói um ciclo de rara serenidade, onde a voz solista se funde com a orquestra numa atmosfera de grande lirismo e transparência. Aqui, a morte já não surge como conflito, mas como aceitação tranquila — um repouso natural após o percurso vivido. A música respira amplamente, com linhas melódicas expansivas e uma orquestração luminosa, criando um espaço sonoro de recolhimento e introspeção.
Neste contexto, o programa adquire uma dimensão que ultrapassa o âmbito estritamente sinfónico, aproximando-se de uma experiência de natureza espiritual. Sem recorrer diretamente ao repertório litúrgico, Strauss revela como a música orquestral pode igualmente expressar o sagrado — não através de dogmas, mas pela capacidade de suscitar contemplação, transcendência e sentido existencial. Entre a dramaticidade de Morte e Transfiguração e a serenidade das Quatro Últimas Canções, desenha-se um arco que reflete o próprio ciclo da vida humana: da luta à aceitação, da inquietação à paz.
Este concerto convida, assim, o público a um momento de escuta profunda, onde a música se torna espaço de reflexão sobre o tempo, a memória e o mistério do fim — e, talvez, também sobre aquilo que poderá existir para além dele.
Programa
- Morte e Transfiguração, op. 24 - Richard Strauss (188889; c.25min)
- I - Largo (Homem doente perto da morte)
- II - Allegro molto agitato (A batalha da morte não respeita ninguém)
- III - Meno mosso (A vida toda do doente passa-lhe na mente)
- IV - Moderato (Finalmente a transfiguração ansiada)
- Quatro últimas Canções (Vier letzte lieder) - Richard Strauss (1948; c.20min)
- I - Frühling" (Primavera)
- II - "September" (Setembro)
- III - "Beim Schlafengehen" (Ao Adormecer)
- IV - "Im Abendrot" (Ao Pôr do Sol)
Susana Gaspar - Solista
Vítor Matos - Direção
ORQUESTRA DE GUIMARÃES
A Orquestra de Guimarães é um singular projeto cultural criado pela Município de Guimarães, com génese no ano de 2014, cujos principais objetivos assentam na integração e potencialização do talento de artistas da região, proporcionando-lhes o contato com a prática musical orquestral sinfónica. Apesar da sua recente formação conta já com mais de uma centena de concertos realizados, assumindo-se paulatinamente pela qualidade das suas apresentações, as quais tem granjeado do diverso público os mais rasgados elogios.
Funcionando numa dinâmica de residências artísticas a Orquestra de Guimarães tem-se diferenciado pelo arrojo e excelência da sua programação, permitindo dotar Guimarães, num formato de sustentabilidade, de uma formação profissional residente com uma programação regular de música erudita de alto nível artístico. Dos inúmeros concertos realizados destacam-se o acompanhamento de solistas com reconhecidas carreiras internacionais como Pavel Gomziakov, Elisabete Matos, Alessandro Carbonare, Maté Sucz, entre outros, bem como a versatilidade demonstrada nas surpreendentes colaborações com Teresa Salgueiro, António Zambujo, Pedro Abrunhosa ou Miguel Araújo, passando pelas multifacetadas apresentações no âmbito do "Guimarães Jazz". No domínio da criação artística destaque para as surpreendentes versões encenadas do "Messias" de Händel ou da "Paixão Segundo S. João" de Bach, bem como as várias interações com o tecido associativo vimaranense.
Com direção artística do Maestro Vítor Matos, e tendo como programador Domingos Castro, a Orquestra de Guimarães é responsável pela programação anual do Festival "Guimarães Allegro", evento no qual se apresenta sob direção de conceituados maestros internacionais como: Daniel Stabrawa, Christoph Koncz, Cristóbal Soler, Maxim Rysanov entre outros, assumindo-se igualmente como um espaço de entrada de jovens instrumentistas no universo profissional, estabelecendo neste campo importantes sinergias com o Conservatório de Guimarães e a Universidade do Minho.
A Orquestra de Guimarães é por isso um eixo fundamental da política cultural do Município de Guimarães, desempenhando um papel preponderante no domínio da música erudita, afirmando-se como uma importante bandeira de um território e de uma sociedade capaz de gerar e fomentar cultura, a máxima expressão de "Guimarães Cidade de Cultura".
VÍTOR MATOS
Vitor Hugo Ferreira de Matos (nascido em 1977), estudou nos Conservatórios de Música de Braga e do Porto, nas classes dos professores José Matos e Moreira Jorge, com quem concluiu o curso de clarinete.
Em 2001 obteve o diploma de Licenciatura na ESMAE. De 2001 a 2007, estudou com o clarinetista Alessandro Carbonare.
Tem realizado diversos recitais em Roma, a convite do Instituto Santo António dos Portugueses, interpretando várias obras em primeira audição, destacando-se o Concerto para Clarinete e Orquestra que o compositor Joaquim dos Santos lhe dedicou.
Como instrumentista colaborou com a Orquestra do Norte, Sinfonieta do Porto, Orquestra de Câmara Musicare, Filarmonia das Beiras e Gulbenkian. Apresentou-se a solo e em música de Câmara nos seguintes festivais internacionais de música: Encontros de Primavera-Guimarães, Póvoa de Varzim, Gaia, Cascais, Mateus, Toulouse e Música Viva. Estudou direção de orquestra com o Maestro Cesário Costa.
No campo da direção de orquestra tem dirigido diversas orquestras entre as quais Orquestra do Norte, Orquestra Estúdio, Orquestra de Câmara do Minho, Orquestra Académica da Universidade do Minho, Orquestra do Conservatório e Teatro de Kaiserslautern e, da Rádio Sul da Alemanha, interpretando obras do período barroco ao contemporâneo.
No campo da Opera, dirigiu o “O Pequeno Limpa Chaminés”, “Arca de Noé” de B. Britten e a “Carmen” de Bizet, todas elas produções nacionais. No campo operático, no âmbito da Guimarães Capital Europeia da Cultura, dirigiu a opera de Maurice Ravel, Les Enfants et Sortilege.
Teve o privilégio de dirigir solistas de prestígio tais como Patrizia Porgio, Peter Arnold, Ilya Grubert, Dora Rodrigues Luís Pipa, Pavel Gomziakov, Samuel Bastos, Elisabete Matos entre outros. Foi galardoado no âmbito de direcção de orquestra, por diversas vezes, destacando-se os prémios obtidos em Barcelona e em Roma (Prémios “Bachetta d’oro” para melhor maestro, “Bachetta de argento” como melhor interpretação). Em 2007, dirigiu a Orquestra da Escola Sinfónica de Madrid no âmbito dos Cursos de Especialização em Música Contemporânea e Direcção de Orquestra, na Universidade de Alcala de Henares (Madrid) com os maestros Arturo Tamayo e Jesus Lopez Coboz.
A experiência de ensino, inclui master classes em Guimarães (Cursos Internacionais), Escolas Profissionais de Música de Viana do Castelo e JOBRA, Madeira, Horschule de Kaisrslautern. Destacam-se na sua classe vários alunos premiados em Concursos Nacionais e Internacionais
Atualmente Vítor Matos é Professor Auxiliar do Departamento de Música da Escola de Artes e Humanidades da Universidade do Minho. É maestro titular da Orquestra de Guimarães.
Master em Direção de Orquestra e Doutorado pela Universidade de Évora em Música Musicologia- Interpretação.
SUSANA GASPAR
Estudou na Escola de Música do Conservatório Nacional de Lisboa, na Guildhall School of Music and Drama e no National Opera Studio em Londres. Fez parte do Jette Parker Young Artists Programme (2011/13), na Royal Opera House, Covent Garden, onde cantou os papéis de: Barbarina Le nozze di Figaro (Mozart), Contessa di Ceprano Rigoletto (Verdi), Giannetta L’elisir d’amore (Donizetti), First Innocent The Minotaur (Birtwhistle), Papagena Die Zauberflöte (Mozart), Voce dal Cielo Don Carlo (Verdi).
Em 2013 representou Portugal na competição Cardiff Singer of the World.
Na ópera destacam-se os papéis de: Violetta La Traviata, Mimì La Bohème, Cio-Cio-San Madame Butterfly, Vittelia La Clemenza di Tito, Moça Pastora Trilogia das Barcas (Braga Santos), Mélisande Pelléas et Mélisande, Manon Manon, Marguerite Faust, Marschallin Der Rosenkavalier. Apresenta-se regularmente em concerto com orquestra, com destaque para: Le Cercle de Harmonie, sob a batuta de Jérémie Rhorer no Festival de Deauville, BBC Philharmonia, Orquestra Sinfónica Portuguesa, e a Simon Bolivar Orchestra na Venezuela, sob a batuta de Gustavo Dudamel.
Nas gravações destacam-se: Marcos Portugal Matinas do Natal para a editora Paraty, Fanny Mendelssohn Songs com o pianista Malcolm Martineau, os 3 volumes de Songs and Folk-Songs de Fernando Lopes-Graça com Nuno Vieira de Almeida para a editora Naxos, Semiramide de Rossini e Il Proscritto de Mercadante para a Opera Rara.
Recentes projetos incluem: Violetta Valéry em La Traviata (Verdi) num filme para a OperaGlass Works em exibição nos cinemas no Reino Unido; estreia absoluta de uma obra de Daniel Schwetz no Panteão Nacional; gravação, com Nuno Vieira de Almeida, das Unknown Songs de Lopes-Graça.
Futuros projetos: recital dedicado a Mozart no Festival Around Classic’26; os papéis de Suor Angelica (Suor Angelica) e Lauretta (Gianni Schicchi) de Puccini na Ópera de Baugé.
21h30
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